A presença estimada de mais de duzentos mil javalis em duzentos e trinta e seis municípios de Santa Catarina acende um alerta máximo para o agronegócio, especialmente no Oeste, Meio-Oeste e na Serra. Sem predadores naturais e com alta reprodução, a espécie invasora e seus híbridos, os javaporcos, avançam em bandos de até cinquenta animais sobre plantações de milho, soja, feijão e trigo, além de atacar criatórios e ameaçar a segurança de moradores com machos que chegam a duzentos quilos. A situação preocupa a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado, já que esses animais podem transmitir doenças graves como a febre aftosa e as pestes suínas clássica e africana. Uma contaminação nos rebanhos comerciais colocaria em risco as exportações e o status sanitário internacional de Santa Catarina, que lidera a venda de carne suína no país.
Mesmo com o abate de mais de cento e vinte mil javalis entre dois mil e dezenove e dois mil e vinte e quatro, e uma lei estadual sancionada pelo governador Jorginho Mello que autoriza o controle da espécie, a população de animais continua alta. Os produtores rurais e as equipes de manejo enfrentam excesso de burocracia no sistema nacional e muita demora na emissão de licenças e guias de caça, precisando muitas vezes acionar a Polícia Militar Ambiental. Enquanto o Ibama e o Ministério da Agricultura monitoram o cenário, o setor produtivo cobra da Câmara dos Deputados mudanças urgentes nas regras federais para simplificar o trabalho dos controladores autorizados e proteger a economia catarinense.
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