No mês dedicado à luta contra a violência que atinge as mulheres, o podcast Oesc Cast trouxe uma conversa muito importante. O programa recebeu a Secretária de Assistência Social do município, a assistente social Márcia Andreia Vargas e a psicóloga Iara Zimmermann. Juntas, elas explicaram a história da campanha “Agosto Lilás” e como a cidade de Palmitos trabalha para proteger as famílias e mudar essa dura realidade.
A história de Maria da Penha e o significado da campanha
A Secretária de Assistência Social iniciou a conversa explicando o motivo de a campanha acontecer justamente no mês de agosto. Foi neste mês, no ano de 2006, que a Lei Maria da Penha foi sancionada no Brasil para proteger e amparar as mulheres vítimas de violência.
Para ajudar a entender o peso dessa lei, a psicóloga Iara contou um pouco da história da própria Maria da Penha. Ela foi uma mulher que sofreu extrema violência do marido, sobrevivendo a duas tentativas de assassinato: uma quando ele atirou nela enquanto dormia e outra quando tentou eletrocutá-la no banho. Por causa das agressões, Maria da Penha ficou tetraplégica e lutou muito, de 1983 até 2006, para conseguir que seus direitos fossem respeitados na justiça.
A Secretária também explicou a escolha da cor lilás para a campanha. Segundo ela, a cor representa a união e a conscientização de toda a sociedade, mostrando que é um dever coletivo garantir que os direitos das mulheres não sejam violados.
O trabalho de apoio no CRAS e a mudança de pensamento
Para mostrar como essa proteção acontece no dia a dia, a assistente social Márcia detalhou o trabalho feito nas rodas de conversa do CRAS. Ela explicou que o artesanato é usado como um instrumento para reunir as mulheres e promover conversas. Nesses encontros, acompanhados por técnicos, as participantes refletem, ganham força e dão um novo sentido para as experiências difíceis que viveram.
Márcia pontuou que, historicamente, a sociedade impôs uma relação de poder onde o homem era visto como o “provedor” e dono da situação. Com o passar do tempo, a mulher evoluiu e começou a conquistar seu espaço de igualdade — o que é exatamente o foco do Agosto Lilás. Porém, muitos homens não acompanharam essa evolução, pararam no tempo e hoje se sentem ameaçados por perderem o controle. Por isso, o espaço para pensar e trocar experiências no CRAS é fundamental para a comunidade.
Quebrando o ciclo para construir um novo futuro
Durante o bate-papo, a equipe deixou uma mensagem de reflexão poderosa sobre a criação dos filhos. Márcia lembrou que todo agressor também teve uma mãe e um pai. Quando uma criança cresce vendo a violência acontecer na sua família, ela tem dois caminhos: rejeitar aquilo e agir diferente, ou simplesmente copiar a agressão que aprendeu.
O objetivo do CRAS é fazer com que as famílias reflitam sobre suas relações, quebrando o “círculo vicioso” da violência e virando a chave para o futuro. Embora ainda exista muita dor por conta do grande volume de casos que continuam acontecendo, a Secretária de Assistência Social reforçou que o diálogo é essencial. Levar essa informação adiante pode parecer um passo pequeno, de “formiguinha”, mas é o que garante os avanços para mostrar às mulheres que existe uma solução.
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