|Palmitos, SC — 19 Maio de 2025 / Por: OESC TV
Palmitos – SC | O mês de maio é sinônimo de conscientização e resistência no campo da saúde mental. Em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Palmitos tem promovido diversas ações para destacar a importância do cuidado humanizado, comunitário e livre de estigmas para pessoas com transtornos mentais.
Em entrevista à OESC-TV, a coordenadora do CAPS, Débora Riesi, explicou o significado da luta antimanicomial e destacou as iniciativas desenvolvidas pelo serviço ao longo do mês.
— Essa luta começou na década de 1970, quando a sociedade e profissionais da saúde perceberam que o tratamento dispensado às pessoas com transtornos mentais em hospitais psiquiátricos era desumano e indigno — afirmou Débora. — Eram locais onde crianças, jovens, adultos e idosos eram internados sem comida, sem medicação e sem qualquer tipo de cuidado adequado. Era um cenário de exclusão e sofrimento.
Segundo a coordenadora, a criação dos CAPS em 2002 — com início das atividades em Palmitos no ano de 2004 — representou uma mudança significativa na forma como o país passou a tratar a saúde mental. O serviço atua com base na inclusão, na promoção da autonomia dos usuários e no atendimento comunitário.
— Em Palmitos, temos hoje mais de 300 usuários. Trabalhamos com diferentes grupos: de autoestima, orientação medicamentosa, patologias, saúde na medida, entre outros. Um destaque é o GAM — Gestão Autônoma da Medicação — que promove o conhecimento e a autonomia dos usuários sobre o uso de seus medicamentos — completou.
Neste mês, a equipe do CAPS tem promovido uma série de atividades para levar a temática à sociedade, enfrentando o preconceito ainda presente contra pessoas com transtornos mentais.
— Estivemos na Câmara de Vereadores de Palmitos no dia 12, e hoje à noite estaremos na Câmara de Caibi. Também realizaremos ações em frente à unidade de saúde de Caibi, explicando à população o que é o CAPS e combatendo o estigma — relatou Débora.
A coordenadora reforçou que o transtorno mental, assim como uma condição crônica como diabetes ou hipertensão, exige tratamento contínuo, mas não define o destino das pessoas.
— Nosso papel é mostrar que elas podem ter uma vida praticamente normal. O tratamento não é o isolamento, e sim o acolhimento, a dignidade e a convivência com a comunidade. Elas têm direito a viver, a sorrir, a trabalhar e a se divertir — defendeu.
Histórias de transformação
A fala de Débora se confirma nas histórias de quem vive a realidade do CAPS no dia a dia. Ruthi Lene Oliveira Santos, usuária do serviço, compartilhou emocionada sua experiência.
— Antes do CAPS, minha vida era muito difícil. Eu não entendia minhas medicações, sentia medo. Aqui, encontrei apoio, explicações, e uma verdadeira família. Tudo mudou. É algo que não tem explicação — contou.
Outra usuária, Eva Lúcia Bonn, moradora de Caibi, relatou como o acolhimento do CAPS transformou sua relação com a cidade e com ela mesma.
— No começo, eu tinha vergonha de andar nas ruas. As pessoas nos olhavam diferente, cochichavam. Era muito preconceito. Hoje, tenho orgulho de dizer que participo do CAPS. Frequento três grupos por semana e sou muito bem tratada — afirmou Eva, incentivando outras pessoas a procurarem o serviço.
Um compromisso com a vida
Mais do que um centro de atendimento, o CAPS de Palmitos se consolida como um espaço de reconstrução da dignidade humana, oferecendo suporte integral aos seus usuários e combatendo o estigma social que ainda cerca a saúde mental.
— O nosso serviço é cuidado, é acolhimento. É mostrar que cada pessoa importa — finalizou Débora Riesi.
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