A safra brasileira de cana-de-açúcar deve registrar um aumento de 4,7% neste ciclo, ultrapassando a marca de 705 milhões de toneladas, segundo os dados da CONAB. Apesar da maior disponibilidade de matéria-prima e de o açúcar estar mais rentável no mercado internacional, a produção do adoçante tem uma queda projetada de 2,9%, enquanto a fabricação de etanol deve crescer quase 10%. Essa inversão não ocorre por uma escolha estratégica das usinas, mas devido às condições climáticas: o excesso de chuvas no Centro-Sul prejudicou o ritmo da colheita e reduziu a concentração de sacarose na planta, restringindo a capacidade da indústria de focar no açúcar.
No mercado interno, a recente adoção da mistura E32, com 32% de etanol anidro na gasolina, amplia a demanda pelo biocombustível, embora a decisão produtiva continue limitada pela qualidade da cana afetada pelo clima. No cenário externo, o açúcar mantém vantagem econômica e os preços seguem sustentados pelas preocupações com a produção da Índia, que sofre os impactos do El Niño e abriu cotas para importação. Isso garante um cenário positivo para as exportações brasileiras, cujo único grande obstáculo no momento segue sendo o ritmo operacional ditado pelas chuvas.
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