Preços do leite caem para o produtor, mas sobem para o consumidor em ‘descasamento’ de mercado
Um “descasamento” nos preços do leite está impactando a cadeia produtiva no Brasil. Nos últimos 12 meses, enquanto o valor pago ao produtor rural caiu mais de 8%, segundo dados do Cepea, o preço dos laticínios para o consumidor final no varejo subiu 3,4%, conforme a inflação medida pelo IPCA. Especialistas apontam que o fenômeno ocorre porque os supermercados estão em um processo de recomposição de suas margens de lucro, que foram severamente apertadas entre 2021 e 2023, quando a baixa oferta de leite elevou os custos na fazenda e o varejo não conseguiu repassar a alta integralmente.
Segundo a Embrapa Gado de Leite, a margem histórica do varejo na venda de leite UHT é de 20%, mas ela despencou para 11% em 2022. Somente em junho deste ano as margens voltaram a se normalizar, permitindo que os preços no campo e na gôndola começassem a se alinhar. O leite longa vida, por ser mais atrelado ao mercado interno, é o único item que já reflete essa queda, com recuo de 2,45% no IPCA. Já produtos ligados à importação, como o leite em pó, subiram 9,68% no mesmo período.
A expectativa de analistas é que a alta nos supermercados perca força nos próximos meses, já que a captação de leite no campo cresceu 6% no primeiro semestre. Glauco Rodrigues Carvalho, da Embrapa, afirma que a tendência é que a queda de preço na fazenda “vai chegar” ao consumidor. No entanto, o cenário atual já prejudica os produtores menos eficientes. O Sindilat-RS alerta que o abandono da atividade tem se concentrado entre produtores pequenos (até 300 litros/dia), que não estão conseguindo manter suas margens de lucro.
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