Palmitos, SC – O mês de agosto é marcado pela campanha nacional “Agosto Lilás”, e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Palmitos está na linha de frente para conscientizar a população sobre as diversas formas de violência contra a mulher e a importância de denunciar. Em entrevista, a assistente social Jéssica Mai e a psicóloga Raquel Cristina Dalcero detalharam as ações e os mecanismos de apoio disponíveis no município.
A campanha, segundo a assistente social Jéssica Mai, ganha força em agosto em alusão à Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006. “É um mês de campanha pelo combate da violência doméstica, mas, muito mais do que um mês ou uma cor, o Agosto Lilás fala da importância da conscientização”, destacou. A lei, que leva o nome de uma mulher que sobreviveu a duas tentativas de feminicídio por parte de seu marido, foi um marco na tipificação de crimes e na proteção das vítimas, que anteriormente viam seus agressores serem punidos com penas brandas, como o pagamento de cestas básicas.
Jéssica ressaltou que a violência não escolhe classe social, cor ou idade, e citou dados alarmantes que indicam uma média de quatro feminicídios por dia no Brasil. “Em briga de marido e mulher, a gente mete a colher, sim”, afirmou, reforçando o dever social de denunciar.
Os tipos de violência e o ciclo vicioso
A psicóloga Raquel Cristina Dalcero explicou que a violência vai muito além da agressão física, que deixa marcas visíveis. Ela detalhou as cinco formas de violência previstas na Lei Maria da Penha:
Violência Psicológica: Agressões emocionais através de humilhações, ameaças, insultos e isolamento.
Violência Física: Qualquer ato que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher.
Violência Sexual: Forçar a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada.
Violência Patrimonial: Reter, subtrair ou destruir objetos, instrumentos de trabalho, documentos e recursos econômicos da mulher.
Violência Moral: Ações que configuram calúnia, difamação ou injúria.
Raquel também descreveu o perigoso “ciclo da violência”, que geralmente se divide em três fases:
Aumento da Tensão: O agressor se torna irritado e controlador, e a mulher passa a evitar qualquer comportamento que possa “provocá-lo”.
Ato de Violência: Ocorre a explosão de agressividade, seja ela física, psicológica ou de outra natureza.
Arrependimento e “Lua de Mel”: O agressor pede perdão, se mostra carinhoso e promete mudar. A mulher acredita e o perdoa, mas o ciclo tende a recomeçar, muitas vezes de forma mais intensa.
Para quebrar esse ciclo na raiz, o CREAS está realizando uma ação lúdica nas escolas municipais, com um teatro de fantoches para alunos do 3º e 4º ano, ensinando sobre respeito e igualdade de gênero desde a infância.
Canais de Denúncia e Apoio
As profissionais reforçaram que o silêncio não é a solução. Mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que testemunhe uma agressão podem e devem buscar ajuda.
Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher. A ligação é gratuita, anônima e funciona 24 horas por dia.
Ligue 190: Polícia Militar, para casos de emergência.
CREAS de Palmitos: Oferece atendimento psicossocial especializado e sigiloso. O contato pode ser feito pelo telefone e WhatsApp (49) 9 9114-8296 para agendamento.
Jéssica finalizou com uma mensagem poderosa, citando a própria Maria da Penha: “A vida começa quando a violência acaba”.
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